Em 2026, a Reforma Tributária começa a mexer, de forma prática, no dia a dia da logística e do supply chain. Com implementação gradual até 2033, a tributação no destino ganha protagonismo durante a transição. Agora, decisões que pareciam resolvidas precisam ser reavaliadas à luz do custo total de servir.

Na prática, a reforma não altera apenas a carga tributária: ela muda o equilíbrio entre custo, serviço e capital, exigindo mais simulação de cenários e decisões mais dinâmicas para evitar que ajustes pontuais virem custos estruturais ao longo de 2026.

O que diz a nova lei?

A Lei Complementar nº 214/2025 é uma das peças centrais da reforma do consumo no Brasil. Na prática, o que essa lei muda é o modelo de tributação sobre bens e serviços: sai a lógica fragmentada de tributos sobre consumo e entra o Imposto sobre Valor Agregado (CBS + IBS). Entre os pilares, ganha força a tributação no destino, o que tende a reduzir distorções de origem/destino e impactar decisões de formação de preço, cadeia e atendimento ao longo da transição

Para 2026, a implementação começa de forma operacional/educativa: a Receita Federal publicou orientações de que 2026 é o “ano de teste” de CBS e IBS, com foco em adaptação de sistemas e cumprimento de obrigações acessórias (ex.: documentos fiscais), prevendo mecanismos de transição e período de adaptação sem penalidades atrelado à publicação dos regulamentos.

Ou seja. Já é hora das empresas reavaliarem suas operações. A mudança de incidência para o destino e a redução gradual da lógica de incentivos as pressionam a repensarem fábricas e centros de distribuição, além de redesenhar cadeias e malhas logísticas. Na prática, isso desloca a conversa de “onde é melhor tributar” para “onde é melhor atender”, e obriga o supply chain a colocar tributação como parte do modelo de decisão, e não como um ajuste no final.

Quatro decisões logísticas que passam a mudar com a reforma

1) Redesenho de fluxos: quem abastece quem

Reforma tributária tende a reabrir perguntas que pareciam “resolvidas”: qual CD atende qual região, onde faz sentido fazer cross-docking, quais rotas são estruturais e quais existiam por conveniência fiscal. Com tributação no destino, o desenho de fluxos precisa ser reavaliado por custo total e nível de serviço — não apenas pelo frete.

2) Escolha de modais: custo, prazo e variabilidade com outra lente

A seleção de modal (rodoviário, ferrovia, cabotagem, aéreo seletivo) deixa de ser “o mais barato por km” e passa a ser “o melhor para proteger margem e serviço sob restrições”. Se o custo efetivo de servir muda por região e canal, a combinação modal + rota pode precisar ser redesenhada para sustentar SLA sem explodir custo.

3) Posicionamento de estoque: menos “onde sempre esteve”, mais “onde reduz custo total”

A reforma coloca mais pressão para separar estoque por lógica de atendimento (demanda, prazo, frequência) e não por conveniência histórica. Estoque bem-posicionado reduz urgências, reduz variabilidade e aumenta resiliência — mas também empata capital. Em 2026, a pergunta vira: qual posicionamento minimiza custo total mantendo o serviço, considerando o novo equilíbrio tributário.

4) Cost-to-serve por região: o número que tende a mandar no jogo

Com a reforma, o cost-to-serve deixa de ser uma métrica “bonita no PowerPoint” e passa a ser uma régua prática para decidir: manter ou mudar um fluxo, elevar ou reduzir nível de serviço por canal, concentrar ou pulverizar estoques, renegociar contratos, rever malha. É aqui que a reforma mexe no coração do supply chain: o equilíbrio entre custo, serviço e capital.

Decisões mais robustas com modelos e cenários

O risco em 2026 não é decidir mudar. É mudar com base em um único retrato. A Reforma tributária é uma transição: regras, cadastros, obrigações e condições de operação vão se estabilizando ao longo do tempo. Se a empresa definir um redesenho estrutural (CD, fluxo, política de estoque, modal) sem simular alternativas, pode transformar uma decisão reversível em custo permanente.

Dessa forma, o melhor caminho é trabalhar cenários com restrições e objetivos múltiplos:

– Destino e créditos afetando cost-to-serve por estados/canais;

– Mudanças de lead time (principalmente se houver redesenho de fluxos);

– Limites de capacidade de CDs e transportadoras ao reposicionar volumes;

– Trade-offs de estoque (capital empatado) vs. urgência (frete caro) vs. nível de serviço.

Com simulação, a empresa consegue responder com números: Quanto custa mudar o fluxo? Quanto reduz prazo? Quanto aumenta capital? Qual cenário protege margem com menor risco?

Decisões mais robustas com modelos e cenários

Em 2026, a reforma tributária começa a produzir efeitos práticos nas decisões de logística e supply chain, especialmente porque a tributação no destino altera o custo efetivo de servir regiões e canais. Como a transição é gradual, não faz sentido esperar “o cenário final” para agir.

O momento é de mapear impactos, construir hipóteses e testar cenários antes de consolidar mudanças estruturais. Empresas que simularem alternativas desde já, comparando redes, políticas de estoque e regras de atendimento sob diferentes premissas, tendem a reduzir risco, evitar decisões caras e ganhar velocidade de resposta ao longo da implementação.

É exatamente aqui que soluções baseadas em modelagem matemática, otimização e simulação da Linear Softwares Matemáticos ganham força: traduzir um ambiente de regras novas e trade-offs em decisões comparáveis antes de investir, mover operação ou “padronizar” um desenho que pode ficar caro.

Em projetos de supply chain, contribuímos ao realizar:

– Modelos de Network Design para testar redes e fluxos sob novas premissas;

– Modelos de planejamento integrado para conectar demanda, capacidade, estoques e distribuição;

– Análises de cenários e sensibilidade para entender que variáveis realmente deslocam custo e serviço.

Quer testar alternativas antes de transformar decisões em custos estruturais? Entre em contato com a Linear e descubra como modelos de otimização e simulação podem acelerar escolhas mais seguras para 2026.